Ditadura na UFF
Resumo da pesquisa
A presente pesquisa "Mecanismos de repressão e vigilância da ditadura empresarial-militar no âmbito da niversidade Federal Fluminense (UFF) e o perfil dos atingidos" pretende ampliar a lista divulgada pelo relatório "Ditadura e Resistências: a Rebeldia dos Professores da UFF", organizado há quase uma década pelo Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente, que apontou para um quantitativo muito expressivo de professores ligados à referida universidade, perseguidos pelo autoritarismo brasileiro entre as décadas de 1960 e 1980. Além disso, nossa pesquisa também busca mapear o nome de estudantes e funcionários monitorados, nos anos 70, pela Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI) da UFF e pela Divisão de Segurança e Informação (DSI) do Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Como metodologia de trabalho, a pesquisa finca-se nos acervos do custodiados no Arquivo Nacional, particularmente, no Memórias Reveladas, na parte referente ao acervo do Serviço Nacional de Informações (SNI), onde podemos encontrar os arquivos, de forma on-line, tanto da DSI quanto da AESI-UFF, dentre outros. Outro espaço também presente em nosso campo de trabalho é o acervo da própria Universidade Federal Fluminense, localizado em Jurujuba (Niterói), que nos possibilita a realização de consultas aos arquivos da instituição de forma presencial.
O conteúdo produzido por esta pesquisa pretende servir de base para uma possível e necessária Comissão da Verdade da UFF, mecanismo ainda muito pouco debatido e pensado no interior da universidade em questão. Para além do sentido mais amplo deste trabalho, que é organizar os diferentes perfis dos atingidos pelo regime empresarial-militar brasileiro, buscaremos ultrapassar a lógica, por vezes simplificadora e muito comum em pesquisas fundamentadas por uma base teórica mais tradicional, que coloca os atingidos pelo autoritarismo estruturado entre 1964 e 1988, no Brasil, como um grupo coeso oposicionista, sem explicitar uma reflexão acerca das singularidades e especificidades (tão presentes quando pensamos em recortes de gênero, raça, classe e sexualidade) no interior deste próprio coletivo. Com isso, mapearemos importantes pontos de contatos e distanciamentos entre os estudantes, professores e funcionários da instituição.
Ademais, queremos também, identificar determinados espaços marcados pela presença de reuniões, grupos de estudos, práticas de afeto e sociabilidade, resistências, produções de materiais de cunho oposicionista, de prisões e perseguições, com o objetivo de pensar acerca da recuperação destes locais enquanto lugares de memória e de uma possível transformação dos mesmos em lugares de consciência, convocando assim, não somente o público da Universidade Federal Fluminense, mas a sociedade de Niterói como um todo e os cidadãos dos demais municípios que também possuem suas histórias entrelaçadas com a presença da instituição, a refletirem sobre um dos temas sensíveis centrais na história do nosso país.
A pesquisa faz parte de um projeto de Iniciação Científica e é coordenada pela professora Joana D'arc Fernandes Ferraz, docente da Universidade Federal Fluminense, ligada ao Departamento de Sociologia e Metodologia das Ciências Sociais (GSO) e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), no âmbito do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF). Os trabalhos de pesquisa são conduzidos pelo estudante Gabriel Rivas, membro do LACE, graduando em Ciências Sociais pela UFF e licenciado em História pela mesma instituição.